Evolução do Futebol
Reflexões sobre os temos abordados na metodologia II - futebol
2010/2011
O futebol é um dos desportos mais populares e praticados do mundo, possuindo milhões de praticantes e uma série entusiasta de fãs e uma roda-viva de factores que giram em volta desta verdadeira máquina de influências.
Este desporto, ou uma versão bem distante do actual, teve a sua origem em diversos povos da antiguidade (China, Persas, Grécia, etc.) onde os soldados usavam diversas bolas feitas de couro para treinar habilidades militares. Esta versão do futebol nunca teve o intuito de ser meramente recreativa ou desportiva mas, sempre teve em mira a visão militarista que vigorava na época.
O jogo, como se conhece hoje (divergindo logicamente em alguns aspectos) surgiu em 1863, na Inglaterra devido a uma divisão entre as associações do rugby e do futebol, surgindo depois as primeiras regras unificadas para caracterizar este desporto, sendo que à medida que os anos foram avançado várias novas leis foram aparecendo, devido às necessidades que o jogo apresentava. O profissionalismo no futebol surge em 1885 e com ele o Internacional Board que tinha como objectivo, adaptar e mudar regras, sempre que fosse necessário. Em 1904 surge a FIFA, órgão que regula e organiza o futebol mundial, bem como as grandes competições a nível global.
Evolução das regras e sistemas de jogo
O futebol começou por ser algo confuso, e com uma alteração constante às regras de jogo e ao modo como as funcionalidades deste desporto se iam processando. Os sistemas de jogo no futebol também foram sofrendo diversas alterações, muito devido às alterações das regras (que condicionavam mais as acções) e à mudança de mentalidades com o evoluir dos tempos.
Os modelos de jogo começaram por ter uma tendência fortemente ofensiva, onde surge o primeiro modelo de jogo com as equipas organizadas com um guarda-redes e dez avançados, visto que as regras, beneficiavam sistemas de jogo deste género (com impossibilidade de haver passes, o jogo tornava-se basicamente numa sucessão de situações de 1 contra o guarda-redes).
A partir de 1866, com a introdução da possibilidade de haver passe para a frente, provocou a alteração do cariz do jogo, dando lhe novas vertentes, mudando as tácticas com as novas preocupações que o jogo exigia, ou seja, maior número de jogadores com semblante defensivo e esquemas montados, a fim de impossibilitar os diversos ataques. Com estas alterações, que vieram dinamizar mais o jogo, as equipas tiveram que se organizar em sistemas de jogo mais complexos e, com isso, surge o primeiro sistema clássico ou “sistema da pirâmide”. Nesta altura, os jogadores mantinham-se muito “presos” ao sistema, não apresentando dinamismo para manter o sistema vivo, vivendo as equipas à base de rasgos individuais.
O crescimento táctico e técnico do futebol levou ao aparecimento de sistemas tácticos cada vez complexos e elaborados, a fim de dar resposta a todas as novas exigências que iam surgindo e com as quais os treinadores se iam deparando. Com isto, surge então uma táctica que veio revolucionar a forma de pensar do futebol, denominada de “WM” criada por Hubert Chapman, considerado o pai da táctica e na altura treinador do Arsenal.
Táctica do “WM” surge em 1932, formando o famoso quadrado mágico que permitia que os jogadores “encaixassem” melhor no adversário permitindo assim maior fluidez de jogo.
Em 1950 surge uma outra táctica, o 4-2-4, e com ela uma nova maneira de ver e encarar o futebol, de uma forma mais equilibrada e dinâmica, dotando o jogo de um maior cariz “táctico”, sobretudo relativamente à zona defensiva do terreno, passando as equipas a ter mais um defensor. Nesse mesmo ano, surge também o 4-3-3 que permite uma maior interligação entre os sectores, duma forma mais coordenada, rápida e eficaz.
A defesa foi apresentando cada vez mais importância na história, e com esta tendência surge, um dos marcos históricos ao nível da táctica no futebol: o Catenácio de Helenio Herrera, na altura treinador do Inter de Milão.
O Catenácio de Helenio Herrera privilegiava o jogo defensivo, tentando anular os ataques do adversário e saindo para contra-ataques rápidos.
Desde o surgimento do futebol até aos dias que correm, o futebol passou por várias mudanças e experimentou diversas exigências que o foram modificando ao longo dos tempos. Desde a estrutura em si, até às próprias regras, o futebol sempre se manteve em constante mutação, evidenciando-se um paralelismo evidente entre o futebol nos seus primórdios e o futebol que actualmente se pratica, que teve o seu “início” em 1960/70 aquando do surgimento duma maior especialização em termos tácticos, técnicos e até mesmo ao nível das infra-estruturas oferecidas aos jogadores. As mudanças da mentalidade individual para colectiva foram decisivas para a maior e melhor compreensão e qualidade do jogo. A partir de 1960/70 começou-se a perceber que o conceito de estrutura (defendido até à data) e o conceito de dinâmica de jogo, podiam e deviam estar intimamente associados e relacionados. A heterogeneidade da equipa e os diferentes significados que cada espaço do terreno significa, passaram a ser primordiais nas equipas, sendo os jogadores cada vez mais “especialistas” na sua posição, e cada vez menos “all arounds” ou polivalentes como se verificava até à data. Com estas alterações o futebol ganhou uma mentalidade mais táctica e a anarquia posicional e de compreensão da missão individual e de grupo foram desaparecendo, dando lugar a equipas cada vez mais dinâmicas na estrutura e a dar significados à heterogeneidade no homogéneo colectivo.
Evolução do futebol, estrutura e tendências evolutivas
O futebol é um desporto em constante mutação e que se vai adaptando às exigências de hoje em dia, ao nível das regras, das componentes que o caracterizam, de toda a envolvência que promove o jogo e, sobretudo, nos sistemas e estruturação das equipas.
Os treinadores que comandam as equipas actualmente são pessoas identificadas com o jogo, com a cultura do futebol e profundo s conhecedores das realidades das equipas e do que precisam fazer para que a equipa triunfe. Os sistemas de jogo das equipas evoluíram de anárquicos, tendenciosamente ofensivos (também devido às regras) e pouco organizados, para estruturas totalmente racionais, com uma visão de cultura de espaços e posição, onde tudo é intelectualizado e pensado ao pormenor (nada é deixado ao acaso), mais equilibrados, onde a defesa não é negligenciada e o ataque não é desorganizado, onde os princípios de jogo são o ponto de partida para todas as acções e transições e, outra tendência que se observa, é a preocupação cada vez mais notória com a defesa, assentando o futebol actual cada vez mais na ideia de sofrer poucos golos e correr poucos riscos.
Um factor que veio contribuir em muito para que estas evoluções todas se processassem foi uma regra que, para além de ser fundamental no desenrolar de uma partida de futebol, veio revolucionar as abordagens que são feitas em redor do jogo. Em 1863, quando o futebol surge do seu modo mais formal e organizado, mas ainda com regras pouco definidas, a lei do fora-de-jogo condicionava muito a abordagem dos treinadores, quer a nível táctico, quer a nível da estruturação das equipas em relação ao adversário. Por esta altura o futebol era algo desorganizado e esta lei, diferente da que actual vigora, com bastantes condicionantes aos próprios “artistas” apenas tornava o jogo mais dúbio e a necessitar de ser remodelado e reestruturado.
Os aspectos individuais e colectivos ligados à construção de base do jogo de futebol, também foram evoluindo e modificando-se, por vezes até, apresentando ideias completamente contrárias e opostas, o que só demonstra a evolução dos tempos.
As grandes evoluções que se deram a nível individual no jogador de futebol foram, sobretudo sentidas ao nível do domínio técnico das habilidades específicas da modalidade e evoluções na energia funcional e das capacidades básicas funcionais, bem como os níveis gerais e específicos dos componentes do rendimento. A nível colectivo, a passagem de um sistema “duro” e pouco dinâmico, deu lugar a algo estruturado e onde tudo é pensado e executado de uma forma energética, com necessidade de maior preparação física, daí a mudança nesse aspecto.
Os factores de rendimento de uma equipa podem ser divididos em dois grandes grupos: individuais e colectivos.